Uso da monotipia para criação de ilustrações

Atualizado: 18 de fev.

Uma das coisas mais bacanas de criar é o processo. E por isso, adoro quando me perguntam como são feitas as ilustrações do projeto Travessias. Neste texto vou explicar um pouco sobre uma técnica que usei nas últimas criações compartilhadas no Instagram.


A escolha de determinada técnica nunca é ao acaso. Há sempre uma intencionalidade por trás dessa decisão, seja para dar destaque à obra ou realizar estudos de técnicas. Nesta ilustração que fiz para o projeto travessias, a escolha surgiu de uma associação criativa entre a escritora Virginia Woolf e a monotipia.


A inglesa Virginia Woolf foi uma das escritoras mais notórias de sua época. Além de ter sido precursora do uso do fluxo de consciência, técnica literária modernista que marcou seu estilo de Woolf, também se dedicava à impressão de livros à mão e, juntamente com seu marido, o historiador Leonard Woolf, fundaram sua própria editora, a Hogarth Press.


A Marca na Parede, um de seus contos mais aclamados e que mais demonstra sua técnica e estilo, relata a série de pensamentos e associações feitas a partir da visão de uma pequena marca na parede. Vida, morte, transformação, todos os temas em um mesmo conto curto e extremamente bem escrito.


E para retratar a autora, uma de minhas preferidas, utilizei a técnica da monotipia, que nada mais é do que um processo híbrido entre pintura, desenho e gravura. Altamente artesanal e com vários processos para se obter o resultado final, aproxima-se do do gesto da pintura, da mancha de tinta, ou do traço, da linha. Geralmente, obtém-se apenas uma única cópia e o é possível trabalhar com a inversão da imagem.


A monotipia teve origem no século 17, com Giovanni Benedetto Castiglione (1616-1670) e se baseia na utilização de tintas à base de óleo, de secagem lenta, que são aplicadas em camadas sobre um suporte, onde é apoiado o papel para aplicação dos traços do desenho.


Na gravura, adaptei a técnica, substituindo a tinta de secagem lenta por uma de secagem rápida, conhecida como tinta de gravura. Essa tinta é aplicada em uma placa de cobre e, conforme vou riscando, a tinta desgruda da placa, deixando os traços do desenho.


O efeito negativo é causado pois a parte que fica em branco na placa fica grudada em outro papel, criando o desenho que será impresso em um papel de arroz, que posteriormente será pintado com giz pastel seco.


Que tal desbravar essa nova trilha cultural? Conheça mais sobre o projeto, acesse o do Travessias clicando aqui e compartilhe com a gente o que achou.











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