Série

Lentidão

Se a velocidade dota a natureza e as coisas de uma mobilidade inusitada, a lentidão realça a força da sua presença, tornando incontornáveis as singularidades da paisagem. A lentidão com seus charmes e seus imponderáveis.

 

Imponderável: Que não se consegue pesar; cujo peso não pode ser revelado.

[Figurado] Cujo valor não pode ser determinado; impalpável.

[Figurado] Que não merece de avaliação: dados imponderáveis.

 

Pierre Sansot é um deles. No livro Du bon usage de la lenteur ele não esconde a desconfiança diante da “raça de infatigáveis” criada ao sabor do culto ã velocidade, tendo como contraponto a desvalorização da vida conduzida com vagar, passo a passo. Mas seu propósito vai mais além. Deseja atentar para os bons usos da lentidão, diante das quais os imperativos da performance e da eficácia se tornam anêmicos. Por isso, ele não se contenta em receitar um bálsamo para ansiedade que agita sem cerimônia o cotidiano contemporâneo.

 

A lentidão não requer degredo. É possível defini-la de diferentes maneiras e experimentar muitos de seus charmes.

 

Degredo: Que não se consegue pesar; cujo peso não pode ser revelado.

[Figurado] Cujo valor não pode ser determinado; impalpável.

[Figurado] Que não merece de avaliação: dados imponderáveis.

 

Os mais apressados talvez duvidem da existência de algum uso fascinante e moderno da lentidão.

 

E, se utilizam da lentidão apenas como meio para serem belos, ainda não compreenderam o principal:

 

Não se trata de ser lento ou veloz de maneira fotogênica.

 

Escolher a lentidão não se deve forçosamente à vontade de ser mais saudável no futuro (...) também não exige a aquisição de novas ideias, mais imagens, mais deslocamento.

 

Pois, não se trata de acrescentar coisas, e sim de lidar com aquelas que já existem em cada um, para cada um.

 

E seria igualmente irreal uma escolha de lentidão que não se dispusesse a acolher a espessura do tempo, o peso de sua presença, a riqueza ofertada pela variação de seus ritmos.

Trechos retirados do livro “Corpos de passagem”.

SANT’ANNA, Denise Bernuzzi de. Corpos de passagem: ensaios sobre a subjetividade contemporânea.

Detalhamento peças

 

1. Sem título: Monotipia, grafite e nanquim sobre papel, 40 x 30 cm - 2021

2. Sem título: Aquarela e grafite sobre papel, 41 x 31 cm - 2021

3. Sem título: Gravura em metal, 29 x 12 cm - 2021

4. Sem título: Aquarela sobre papel, 31 x 41 cm – 2021

5. Sem título: Gravura em metal, 25 x 20 cm – 2021

6. Sem título: Carvão sobre papel, 39 x 55 cm - 2021